
"Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra."(Caio Fernando Abreu)
Alma especial?
Alma deserta?
Não importa, pois insistimos em reconhecer a alma deserta, afinal, se te encontras em um deserto de almas desertas, por que haverias de ser especial?
No meu deserto não reconheço, não procuro, também não encontro...
Sabe o motivo?
Não estamos aqui para procurar, pois as "especiais" só tornam-se tais quando encontram ou são encontradas por aquela que cansou do deserto...
O bom?
Não estamos aqui para procurar, mas procuramos (mesmo que inconscientemente).
Creio que seja a maior e mais árdua das procuras
Enganamos-nos pensando que saímos do deserto, mas passamos o maior tempo de nossas vidas nele, alguns nunca saberão como é estar fora desse lugar sem água, sem doces, sem cobertores, sem amores...
Não quero meu sempre aqui, sei que tu também não...
Por isso também finjo, me engano...
Mas não, não me torturo, até gosto daqui
As vezes faz frio
Mas o sol vem pela manhã
Sabe a verdade?
Não conheço quem tenha saído para sempre, já que esse sempre acaba.
Apenas fazemos uma, duas ou diversas fugas, algumas duram pouco e outras muito...
Tempo, esse, o mais cretino dos relativismos
Com ele percebemos que nunca saímos do deserto, apenas fazemos pequenas fugas
Pequenas, grandiosas, felizes ou amargamente desventuradas
Sabe de uma coisa?
Sou péssima em fugas
Fico
Espero
Me resgate se quiser, sou assim nem aí
Sou aí quando to afim...
Mas hoje está quente
é, hoje o cobertor não me fará falta alguma...